Sobre refluxo

A ideia de gravar o disco veio da vontade de continuar o desenvolvimento de outro disco, “Fluxo”. Em 2008, viajei para os EUA, para estudar música. E quando voltei, compus uma série de temas instrumentais. Gravei estes temas, comigo no violão e na bateria, e com outros músicos: Webster Santos (guitarra), Gustavo D’amico (sax), Marcelo Jesuino (guitarra), Fúlvio Oliveira (guitarra), Leonardo Mendes (guitarra), Adriano Paternostro (baixo) e Rodrigo Bragança (guitarra). Minha intenção era lançar este disco, mas levei muito tempo para concluí-lo, quase três anos. Quando ficou pronto, eu estava envolvido em outros projetos, e musicalmente eu sentia que muita água tinha passado por baixo da ponte.
Então, no final de 2012, depois de quatro anos dedicados à universidade de música, decidi gravar outro disco, também instrumental, que se chamaria “Refluxo”. Ou seja, uma continuação do outro. Para isso, resolvi criar um projeto de crowdfund, que me permitiria arcar com os custos básicos do disco. E desta vez, eu gravaria todos os instrumentos, porque isto me permitiria concluir o disco rapidamente e facilitaria a produção. Compus e produzi uma pré, com 7 músicas, que serviria de guia para a gravação final e para divulgar o projeto de financiamento coletivo.
Escolhi o site Itsnoon, uma plataforma de economia criativa, para sediar o projeto. E trabalhei para divulgá-lo por 45 dias. Ao final, com a energia e a contribuição de meus colaboradores, consegui alcançar minha meta. A capa também foi fruto da colaboração coletiva dos criadores da Itsnoon: depois que criar uma especie de concurso de criação (uma chamada criativa, nos termos da Itsnoon), escolhi quarto capas (e não foi fácil, pois as criações foram fantásticas) das quais meus colaboradores escolheram uma, a do artista Tiago Spina.
Mais ou menos em um mês, pude concluir o disco. No final, o resultado foi um disco que foge à linguagem da música instrumental que segue a estrutura formal de tema-improviso-tema. Pensei na construção de climas instrumentais, de sequências não lineares de informação sonora, usando expedientes diversos, como synths e ruídos. Neste processo, acabei misturando minhas influências, trazendo dados da música brasileira, da música americana, da música eletrônica, do jazz,  etc.
Acredito que a música é uma ferramenta nas busca pelo autoconhecimento, e que no ato de tocar, nos refazemos e nos reinventamos a cada acorde, a cada ideia. É a investigação do complexo universo sonoro que nos afeta, que nos transforma. As moléculas se agitam, e então o som se faz. Somos o som. Mergulhar nesse oceano invisível é o que me motiva. Refluxo é isso.
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